Em 2026 Iner vai investir em capacitação, regulação e fortalecimento do varejo
O ano de 2026 se apresenta como um período decisivo para o setor colchoeiro brasileiro. Depois de um ciclo marcado por retração da demanda, aumento de custos, concorrência desleal e incertezas regulatórias, o mercado entra em uma nova fase, em que a adaptação estratégica, a qualificação profissional e o fortalecimento da confiança ao longo da cadeia tornam-se indispensáveis. Nesse contexto, o Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER) projeta 2026 como um ano de construção, diálogo e desenvolvimento estruturado do setor.
Os dados mais recentes do panorama setorial indicam que fabricantes e fornecedores enxergam 2026 com cautela. A maioria espera um cenário semelhante ou até mais desafiador do que 2025, pressionado por custos elevados, dumping, instabilidade econômica e mudanças no comportamento do consumidor. Esse ambiente reforça a urgência de ações coordenadas que vão além da competição por preço e passam a valorizar qualidade, conformidade, informação e preparo técnico.
É justamente nesse ponto que a capacitação ganha protagonismo. Em um mercado mais exigente e informado, vender colchões deixou de ser apenas apresentar modelos e condições comerciais. O profissional de vendas precisa compreender características técnicas, ergonomia, biotipo, durabilidade, certificação e impacto do produto na saúde e no bem-estar do consumidor. O INER, atento a essa transformação, amplia em 2026 suas iniciativas de formação profissional, com cursos e trilhas de capacitação voltados a vendedores, gestores de loja e equipes comerciais.
A proposta é clara: transformar o ponto de venda em um espaço de orientação qualificada. Programas profissionalizantes, como os cursos desenvolvidos pelo Instituto, passam a ser vistos não apenas como um diferencial, mas como uma necessidade estratégica para o varejo. Capacitar equipes significa reduzir ruídos na comunicação com o consumidor, aumentar a taxa de conversão, diminuir conflitos no pós-venda e fortalecer relações de confiança de longo prazo.
Além da formação técnica, 2026 também será marcado pela continuidade de projetos de engajamento e estímulo às boas práticas comerciais. Iniciativas como a nova edição da campanha “Acelerou, Ganhou”, que transforma vendas de colchões certificados em prêmios, reforçam a conexão entre capacitação, certificação e desempenho no varejo. Mais do que uma ação promocional, esse tipo de campanha contribui para educar o mercado, valorizar produtos conformes e incentivar vendedores a priorizarem argumentos técnicos e responsáveis.
Outro eixo central da atuação do INER em 2026 é o fortalecimento do diálogo institucional e regulatório. O setor vive um momento sensível, marcado por mudanças regulatórias, debates sobre concorrência desleal e impactos de medidas econômicas, como a aplicação de direitos antidumping sobre insumos estratégicos. Essas decisões, embora inseridas no campo da defesa comercial, podem gerar efeitos colaterais relevantes, como aumento de custos, pressão sobre micro e pequenas empresas e repasse de preços ao consumidor final.
Diante desse cenário, o Instituto reforça seu papel como agente técnico e articulador, contribuindo com dados e análises que apoiem decisões mais equilibradas e sistêmicas. A defesa da conformidade, da livre concorrência e da sustentabilidade econômica da cadeia produtiva passa necessariamente por uma visão integrada, que considere fabricantes, fornecedores, varejo e consumidor.
Ferramentas como a Tabela de Biotipo, os levantamentos sobre o ecossistema do sono e as análises de tendências do setor auxiliam a qualificar o debate e a orientar tanto o desenvolvimento de produtos quanto a atuação comercial. Ao compreender melhor o consumidor, seus hábitos, necessidades e expectativas, o setor se torna mais preparado para inovar com responsabilidade.
Vale lembrar que essa vocação técnica não é recente. O INER foi responsável pela criação da primeira norma técnica do setor, ainda em 1984, estabelecendo as bases que até hoje sustentam discussões sobre qualidade, segurança e desempenho. Em 2026, esse legado se projeta para o futuro, não como um ponto isolado, mas como parte de uma estratégia contínua de evolução do mercado.
Outro aspecto que ganha relevância nas expectativas para 2026 é a aproximação cada vez maior com o varejo. O Instituto amplia sua atuação junto aos lojistas e vendedores, que estão na linha de frente do relacionamento com o consumidor e representam o elo fundamental entre a indústria e o cliente final – entendendo que é no ponto de venda que muitas decisões críticas são tomadas e onde a percepção de valor do produto é construída. Trabalhar com o varejo significa investir em capacitação dos times de vendas, materiais de apoio, campanhas educativas e alinhamento entre indústria e comércio.

Em um ambiente de estagnação ou crescimento moderado, como apontam as pesquisas setoriais, a competitividade não virá apenas de volume, mas de consistência. Qualidade percebida, atendimento qualificado, produtos conformes e informação clara passam a ser fatores decisivos. Para isso, capacitar pessoas e fortalecer referências técnicas deixa de ser opcional.
Assim, 2026 se desenha como um ano de transição estratégica. Um período em que o setor colchoeiro precisará enfrentar desafios estruturais sem perder de vista oportunidades de amadurecimento. O INER segue comprometido em apoiar esse processo, investindo em capacitação, estudos, diálogo institucional e projetos que contribuam para um mercado mais equilibrado, profissional e sustentável.
Em tempos de incerteza, preparar pessoas, qualificar decisões e fortalecer a confiança ao longo da cadeia não é apenas uma resposta ao cenário atual, mas um investimento no futuro do setor.
