O desafio das fábricas: contratar, engajar e reter em um mercado que mudou
Qualidade se faz com pessoas. Repito essa frase porque ela resume tudo
Qualidade se faz com pessoas. Repito essa frase porque ela resume tudo. Quem fabrica colchões já entendeu: não existe qualidade, certificação ou entrega no prazo sem gente boa, alinhada e bem cuidada.
O mercado mudou — e rápido. A forma de contratar não é mais a mesma. A de reter, muito menos. Quem não acompanha essa transformação continua enfrentando alta rotatividade, equipes sobrecarregadas e dificuldade para crescer mesmo quando a demanda está aquecida.
O que acontece hoje nas fábricas não é apenas escassez de mão de obra. É uma mudança de geração e de comportamento. A nova força de trabalho valoriza propósito, ambiente saudável e desenvolvimento contínuo. Não busca apenas estabilidade, mas sentido no que faz. Isso exige das empresas um novo olhar: menos foco em “preencher vagas” e mais atenção em construir times.
Tudo começa pela contratação. Ainda há empresas que escolhem por afinidade ou urgência, sem clareza do que o cargo realmente exige. O resultado é previsível: contratações equivocadas, retrabalho e frustração dos dois lados. Definir competências técnicas e comportamentais é essencial. Experiência e treinamento contam, mas atitude, comportamento e capacidade de aprendizado sustentam o desempenho no dia a dia.
A integração também precisa evoluir. Receber alguém novo não é apenas entregar crachá e manual. É acolher, explicar a cultura, mostrar o produto e conectar o colaborador ao propósito da marca. Apresentar o colchão, explicar a importância da etiqueta ou de um registro de não conformidade cria pertencimento. Processos estruturados, com acompanhamento aos 30, 60 e 90 dias, reduzem significativamente o turnover.
Outro ponto decisivo é a liderança. Ainda é comum promover o colaborador mais antigo sem prepará-lo para gerir pessoas. Liderar não é apenas ter experiência: é orientar, ouvir, dar contexto e conduzir conversas difíceis com respeito. Um líder despreparado custa caro — desmotiva, perde talentos e aumenta o retrabalho.
Quando a liderança é bem formada, os resultados aparecem. Feedbacks fluem, conflitos diminuem e a confiança cresce. Reuniões rápidas, microtreinamentos no posto e comunicação clara mantêm o time alinhado.
Reter pessoas passa por reconhecimento e desenvolvimento. Benefícios acessíveis, ações de bem-estar e oportunidades de crescimento mostram cuidado real. No fundo, reter é engajar. E engajar é entender que cada pessoa se motiva de um jeito.
Quando o colaborador entende o impacto do próprio trabalho, a qualidade deixa de ser obrigação e vira valor. E isso chega ao cliente.
Cuidar de pessoas não é custo — é estratégia. Porque, no fim das contas, qualidade se faz com pessoas, todos os dias.
Legenda:
- Camila Silveira, especialista em Certificação de Colchões e diretora executiva da CS Consultoria
