ESG avança e ganha força no setor colchoeiro nacional
Indústrias estruturam processos, certificações e comunicação para fortalecer reputação e abrir novos mercados Micropet, Ortobom, Castor e Gazin mostram que ações ambientais e sociais podem gerar valor real ao mercado.
Durante o ano de 2025, a revista Móveis de Valor dedicou uma editoria especialmente aos assuntos relacionados a ESG (Ambiental, Social e Governança), um tema muito pertinente para as indústrias de colchão, que serviram como exemplo para várias edições. Por ser algo tão importante, resolvemos reunir no Anuário de Colchões um compilado de informações úteis para o setor colchoeiro sobre os assuntos abordados nas reportagens.
É imprescindível lembrar que, nos últimos anos, a sigla ESG deixou de ser pauta distante para se tornar parte das decisões estratégicas nas indústrias de colchões. E, ao longo deste período, acompanhamos empresas que entenderam que sustentabilidade, governança e responsabilidade social não são apenas bandeiras institucionais ou itens de marketing, são, na prática fatores que reduzem riscos, fortalecem reputações e abrem portas para novos mercados.
A Micropet é um exemplo claro desse movimento. A empresa nasceu com a sustentabilidade no seu próprio modelo de negócio, já que trabalha com PET micronizado, material produzido a partir dos resíduos finais da reciclagem de garrafas PET — insumo amplamente usado na produção de espumas para colchões. Mesmo assim, a marca entendeu que não bastava ter um produto sustentável. Era preciso estruturar o discurso, organizar processos e provar, com evidências, que essa lógica está integrada ao negócio.

Para isso, a Micropet investiu em consultoria, diagnóstico e um plano de ação para governança. Esse trabalho resultou em certificações ESG e no selo Produto Ecologicamente Correto, que, segundo o diretor Carlos Antonio Lorenceto, ajudaram a ampliar oportunidades comerciais, especialmente em mercados internacionais, onde essa maturidade já é mais exigida. Com processos organizados e acompanhamento de indicadores, a empresa passou a comunicar suas iniciativas de forma consistente, e isso começou a ser percebido pelos clientes como valor agregado real. Esse ponto da comunicação é importante.

Como gosta de reforçar a especialista e consultora do Instituto Impulso, Débora Irie, ter ações ESG sem comunicar ao mercado é desperdiçar oportunidade. A Micropet ainda está na fase inicial da sua jornada e seu primeiro relatório de sustentabilidade virá em 2026. Mas, já colhe os benefícios de se posicionar com transparência, rastreabilidade e compromisso público.
Na mesma lógica, vimos a Ortobom reforçar sua jornada ESG na unidade de Simões Filho (BA), revalidando sua certificação ODS e estruturando um conjunto de ações que vão de tecnologias de produção com menor impacto ambiental até a criação de um grupo interno de governança e sustentabilidade. O uso de CO2 como agente expansor na fabricação de espumas, por exemplo, e o investimento em energia renovável, logística otimizada e redução do consumo de água mostram que a sustentabilidade está integrada ao processo produtivo.

O desafio da economia circular no setor de colchões
Se há um ponto que ainda exige avanço, é a circularidade dos produtos. Colchões têm composição complexa, grande volume físico e materiais de difícil separação. O resultado é um passivo significativo em aterros sanitários e riscos ambientais diretos, que envolvem contaminação do solo, emissão de gases e desperdício
de recursos.
“A transição para uma economia de baixo carbono exige que setores tradicionalmente lineares revejam seus modelos de produção e consumo. No caso da indústria de colchões, o maior risco ambiental está diretamente ligado à gestão inadequada dos resíduos gerados ao longo do ciclo de vida do produto”, explica Débora Irie, enfatizando que transformar esse desafio em oportunidade não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma vantagem competitiva.
A especialista em ESG lembra que os colchões descartados representam um passivo complexo para o meio ambiente, justamente por conta de sua composição, formada por espumas, molas e tecidos, o que dificulta o processo de reciclagem. “Além disso, seu grande volume físico faz com que os colchões ocupem um espaço significativo em aterros sanitários, acelerando a escassez de áreas disponíveis para deposição final”, acrescenta.
Segundo Débora, outro ponto crítico está na liberação de substâncias tóxicas, como retardantes de chama e compostos orgânicos voláteis presentes em alguns materiais que podem contaminar solo e água, trazendo riscos à biodiversidade e à saúde humana. “Durante a decomposição, os colchões também emitem gases de efeito estufa, como o metano, contribuindo para o aquecimento global”, completa.

A transição para um modelo circular exige redesign, logística reversa, reciclagem de componentes, novos materiais e educação do consumidor. Mas, aqui no Brasil já surgem movimentos concretos, como o travesseiro BioComfort® da Castor, feito com polióis de fonte renovável e pegada de carbono três vezes menor. Recentemente, a marca também lançou colchões da linha GreenStar®, com BioEspuma e alto nível de biodegradabilidade, uma aposta clara em circularidade e baixo impacto.
Eixo Social também é destaque no setor de colchões
Entre as indústrias de colchão que se destacam nesse eixo está a Gazin, reconhecida várias vezes pelo Great Place to Work como um ótimo local para se trabalhar. São diferenciais da Gazin a oferta de espaços destinados ao lazer e qualidade de vida dos colaboradores, por meio de associações como a Afungaz, presentes em suas unidades. Essas associações contam com áreas verdes para descanso e convivência; campos de futebol e vôlei; piscinas e academias; chalés para hospedagem; atividades diárias de lazer e esportes que incentivam a integração entre funcionários e familiares; e hospedagem gratuita por 15 dias para novos contratados que precisam se mudar para Douradina (PR), facilitando sua adaptação ao novo trabalho e à cidade.

Junto com os tradicionais benefícios – plano de saúde, vale alimentação, participação nos lucros e seguro de vida –, a Gazin também oferece um aplicativo de saúde integral que disponibiliza consultas médicas e psicológicas e práticas como yoga, meditação e suporte nutricional.
Além do treinamento profissional, a empresa também investe na educação de seus funcionários, com o chamado Incentivo Universitário, em que até 100% dos custos de cursos técnicos ou superiores podem ser cobertos, dependendo do desempenho acadêmico do profissional.
No fim, o que essas iniciativas têm em comum é a compreensão de que ESG é tão estratégico quanto produto, preço, expansão ou tecnologia. É um movimento que fortalece a marca, reduz riscos, amplia competitividade e abre mercado, especialmente quando conectado à economia circular, ao uso eficiente de recursos e à governança transparente. E, principalmente, quando é comunicado de forma consistente.
Como resume Débora Irie, “ESG é uma estratégia inteligente para negócios mais lucrativos. É a ponte entre responsabilidade corporativa e sustentabilidade econômica.”
ESG é uma estratégia inteligente para negócios mais lucrativos. É a ponte entre responsabilidade corporativa e sustentabilidade econômica.”
Impactos do descarte inadequado de colchões
Contaminação de solo e água pela liberação de substâncias químicas.
Emissão de gases de efeito estufa, intensificando as mudanças climáticas.
Desperdício de recursos naturais, já que a produção de colchões demanda água, energia e matérias-primas que poderiam ser reaproveitadas.
Impactos diretamente conectados ao ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima).
