Menu

Tecnologia e longevidade caminham juntas

Tecnologias do sono evoluem para oferecer mais segurança, conforto, monitoramento e autonomia aos idosos e seus familiares

Tecnologias do sono evoluem para oferecer mais segurança, conforto, monitoramento e autonomia aos idosos e seus familiares

Mercado investe em soluções inteligentes que melhoram o descanso, a qualidade de vida e previnem lesões naterceira idade

Na reportagem anterior conhecemos mais sobre as necessidades dos idosos na hora de dormir e entendemos que esse público merece atenção especial do mercado, já que a população mundial, como um todo, está envelhecendo. Obviamente, na Europa isso é discutido há mais tempo, afinal a pirâmide etária deles revela há anos a presença de mais idosos do que jovens, mas aqui no Brasil estamos vendo o mesmo efeito acontecendo, por isso, esse mercado é um nicho interessante de ser explorado.

Rene de Oliveira, CEO da Overseas, que mora na Europa, trouxe alguns insights sobre o que a indústria do sono está fazendo no velho continente para dar mais qualidade de descanso à população idosa. “A média de idade é bastante alta na Europa e, inclusive, muitas dessas pessoas moram sozinhas, o que deixa os familiares preocupados, por isso algumas empresas desenvolveram tecnologias capazes de detectar movimentos no colchão e enviar notificações no celular. A pessoa pode até programar nos aplicativos alertas relativos ao tempo em que o idoso levantou”, exemplifica.

Ainda nessa mesma linha, Rene conta que existem também colchões/camas que acendem uma luz assim que a pessoa se levanta, iluminando sua base. “Levantar durante a noite pode ser motivo de acidentes e quedas, então, esses colchões têm essa luz que acende na base da cama e ilumina o chão para que o idoso não corra risco de cair por conta da escuridão ou até chegar ao interruptor”, informa.

Aponte a câmera
para o QR Code
para entender como
funciona o aplicativo
do Piero DF-Smart

Além disso, o empresário lembra que existem colchões capazes de monitorar batimentos cardíacos integrados a aplicativos que podem emitir avisos a celulares de familiares ou médicos, caso haja alguma alteração muito grande, assim como aqueles que fazem monitoramento do sono (assunto abordado nesse mesmo Anuário na reportagem da página 72). Um bom exemplo disso são os colchões da linha DF-Smart, do Grupo Piero, da Argentina, que possuem sensores inteligentes que registram e analisam o sono do usuário e exibem os resultados em um aplicativo para smartphone, além de contar com espumas e molas de alta tecnologia e o SensIce (um sistema de regulação de temperatura). 

O Piero DF-Smart, colchão argentino conta com sensores inteligentes e app de monitoramento do sono

“Aí também podemos entrar na questão das camas com ajustes programáveis de conforto e altura, incluindo alguns modelos que possuem sensores para fazer o ajuste automaticamente de acordo com o movimento da pessoa, facilitando na hora de levantar e evitando quedas”, complementa.

O CEO da Overseas conta que aqui no Brasil esses ajustes automáticos de conforto devem se tornar uma realidade comum muito em breve. “Várias empresas brasileiras com as quais tenho contato já adquiriram tecnologia para isso e estão desenvolvendo colchões e apps para poderem colocar em linha, muitas já estão em fase de testes. Acredito que nesse início de 2026 algumas empresas já vão colocá-las no mercado”.

Rene conta que existe uma certa preocupação por parte dos fabricantes brasileiros em relação ao envelhecimento da população e o sono. “Quem não estiver com produtos preparados para atender esse público vai ficar de fora. Outro ponto a se observar é que esse público costuma ter um poder aquisitivo maior e vai conseguir investir em bons produtos”, observa.

A especialista em geroarquitetura, Flávia Ranieri, afirma que os benefícios das camas articuladas elétricas são a facilitação da respiração e a circulação, já que elas permitem ajustar as inclinações da cabeceira e dos pés. “Existem no mercado alguns modelos da Ergomotion, por exemplo, que cumprem essa função, inclusive com algumas versões premium até com registro de sistema antirronco”, comenta.

Cama articulada Ergomotion S-Plus

A Leggett & Platt é outra empresa que se mostrou preocupada em atender as necessidades e demandas da população idosa. “Nós temos como missão entregar para a indústria colchoeira e moveleira produtos que proporcionem o máximo de conforto e descanso para o consumidor final. E quando falamos sobre conforto para uma faixa etária mais avançada, este benefício só vai ser plenamente alcançado se pensarmos nas necessidades mais específicas desse público, considerando também o aspecto da segurança como um fator primordial”, analisa João Torres de Rezende, sales and marketing manager. 

João Torres de Rezende, sales and marketing manager da Legget & Platt

João diz que quando se trata de colchões, quanto mais alto um colchão é, mais fácil e seguro será o movimento para uma pessoa mais fraca ou com dificuldade de locomoção obter ajuda para se levantar da cama. “A altura do colchão depende de vários fatores, incluindo todos os seus componentes, mas a Leggett desenvolveu uma tecnologia de molejos feitos com molas ensacadas de 23cm, uma altura muito acima dos padrões de 10, 12 ou 15cm. Trata-se do molejo Multi Suporte, que além de mais alto apresenta também uma grande quantidade de molas (267 molas por m²) e uma mola em formato espiral que garante tanto a sensação de conforto como de suporte para quem se deita sobre o colchão”, aponta.

Comfort Core Multi Suporte, da Leggett & Platt

Segundo o marketing manager, esse molejo se diferencia dos demais da categoria molas ensacadas por conta do formato diferenciado formado pelas molas que o compõem, o que eles chamam de sistema de dois estágios. “Com a extremidade da mola formada por arame com mais voltas em um diâmetro menor que a sua parte central, as molas, ao receberem a pressão da pessoa deitada sobre elas, primeiramente vão gerar a sensação de grande conforto (este é o primeiro estágio) e, ao se pressionar ainda mais após se deitar por completo, vem a sensação de suporte (o segundo estágio)”, explica, afirmando que isso faz muita diferença quando se trata de um usuário da terceira idade.

Soluções para quem tem mobilidade reduzida
Flávia Ranieri lembra que alguns idosos estão acamados ou têm mobilidade reduzida, por isso é necessário investir em materiais anti escaras. “Quando passamos muito tempo deitados, podemos ter lesões de pressão, as chamadas escaras e alguns colchões foram projetados para prevenir ou tratar esse tipo de lesão, como é o caso das espumas tipo “caixa de ovo” – que redistribuem a pressão e estimulam a circulação; os colchões pneumáticos (de ar alternado) – com câmaras de ar que se inflam e desinflam alternadamente; e o C-Core – considerado uma solução inovadora”.

E fui justamente pensando na prevenção desse tipo de lesão que o C-Core foi criado, segundo Juliano Carlos, diretor de operações da C-Core no Brasil. “Isto porque sua estrutura tridimensional, é capaz de reduzir a pressão no corpo de quem está sob sua superfície em 4,5 vezes mais que a espuma visco elástica, e tudo isso por um processo exclusivamente mecânico, sem nenhuma ação química”, explica, lembrando que essas propriedades proporcionam um sono muito mais confortável aos idosos.

Juliano Carlos, diretor de operações da C-Core no Brasil

Juliano também afirma que o C-Core é altamente respirável e lavável. “Em casos de incontinência urinária, por exemplo, é possível lavar o interior do colchão e utilizá-lo novamente limpo em questão de minutos”, garante. Outro ponto importante nesse aspecto é que, por ser lavável, o material não acumula fungos e bactérias como a espuma de poliuretano convencional.

O C-Core surgiu como uma solução inovadora para pessoas acamadas ou com baixa mobilidade

Por se tratar de uma solução inovadora, a C-Core está sempre desenvolvendo estudos relativos à qualidade de vida e longevidade por meio do uso do material. “A C-Core possui um laboratório de tecnologia (LABTEC C-CORE/UFMG), localizado dentro da escola de enfermagem da UFMG, o qual foi construído sob um projeto científico com aprovação da Procuradoria Geral da União, para estudar novas tecnologias para prevenir e reduzir as lesões por pressão. Este projeto por si só, dispensa comentários com relação ao quanto a C-Core pode contribuir com a longevidade dos idosos”, enfatiza Juliano Carlos.