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Recursos para um bom sono na terceira idade

Com o aumento da população idosa, cresce também a busca por conforto e tecnologia para noites de sono mais saudáveis

Com o aumento da população idosa, cresce também a busca por conforto e tecnologia para noites de sono mais saudáveis

Colchões, travesseiros e tecidos adequados fazem toda a diferença na qualidade do descanso e na longevidade

Que o sono é importante em todas as idades todo mundo sabe, mas quando falamos sobre longevidade e qualidade de vida, precisamos estar ainda mais atentos ao sono. Com uma expectativa de vida cada vez mais alta e com o envelhecimento da população, a preocupação de algumas empresas com conforto e tecnologias que auxiliam as pessoas com mais de 60 anos a terem uma boa noite de sono está aumentando e esse é o tema escolhido para ser tratado nessa reportagem.

De acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2025 o Brasil atingiu 35 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa 16% da população. Esse número mostra um crescimento de 2 milhões de pessoas idosas em relação a 2023. Um movimento totalmente natural se levarmos em consideração o último censo demográfico feito pelo IBGE ainda em 2022, em que a pirâmide etária brasileira já mostrava aumento da população idosa, diminuição do número de jovens até 19 anos e faixas mais largas em seu meio, o que indica maior quantidade de pessoas em idade ativa de trabalho, que corresponde à população de 20 a 59 anos.

Flavia Ranieri, arquiteta e especialista em geroarquitetura

Diante disso, consultamos a arquiteta e especialista em geroarquitetura, Flavia Ranieri, para entender como pode ser montado o “quarto perfeito” para pessoas idosas e quais são suas necessidades. “Com o avanço da idade, o padrão de sono sofre alterações naturais — há uma redução do sono profundo (fase REM), aumento dos despertares noturnos e tendência a dormir e acordar mais cedo. Além disso, doenças crônicas, uso de medicamentos e desconfortos físicos podem comprometer a profundidade do sono. Por isso, mais do que o número de horas dormidas, a qualidade e regularidade do descanso são os fatores decisivos para o envelhecimento saudável”, inicia sua explicação.

Pensando nisso, Flavia aponta o colchão como um dos principais elementos para um sono de qualidade. “Ele deve oferecer suporte firme, mas confortável, para manter o alinhamento da coluna e aliviar pontos de pressão. Além disso, a altura total do colchão e da cama deve facilitar o movimento de deitar-se e levantar”, afirma. Ela lembra que os colchões de espuma costumam ser mais comuns e acessíveis para a população brasileira, por isso, ela assinala quais são as densidades recomendadas para essas pessoas. “Entre D33 e D45, conforme o peso e a necessidade de firmeza. Essas densidades são recomendadas para idosos que precisam de um apoio postural firme e uma superfície estável para facilitar os movimentos, além de apresentarem um conforto uniforme, com durabilidade e custos acessíveis”.

Já quando o assunto é colchão de molas, Flavia Ranieri diz que as molas ensacadas individualmente (pocket) garantem movimentos independentes, boa ventilação e conforto dinâmico. “Esses colchões são indicados para casais ou idosos que mudam de posição com frequência”, observa.

Pensando nesses dois tipos de colchões que são os mais usados aqui no Brasil, a geroarquiteta lembra que a altura dos colchões também é importante, assim como de todo o conjunto de dormir. “Recomendamos o uso de colchões que tenham entre 20 e 30 cm, dependendo da base; a altura total (cama + colchão = 45 a 55cm) deve sempre permitir que a pessoa sente com os pés firmes no chão. É importante também que as bordas sejam reforçadas, facilitando o apoio na hora de se levantar. Para os idosos com menor mobilidade, nós recomendamos as camas articuladas ou com regulagem elétrica”, explica.

Higiene, proteção e conforto extra

Flavia Ranieri fala sobre outros recursos que podem melhorar a noite de sono de pessoas idosas. “Em alguns casos é necessário o uso de capas protetoras impermeáveis e respiráveis, que evitam a penetração de líquidos e não retêm calor. Outra opção é o uso de pillow top removível, que adiciona maciez e pode ser lavado separadamente, proporcionando maior higiene”, comenta.

Outra observação que ela faz é o uso de materiais hipoalergênicos e antimicrobianos. “É sempre interessante optar por tecidos naturais, como algodão, bambu ou linho, tanto para os colchões e capas quanto para as roupas de cama, pois esses materiais reduzem a proliferação de ácaros, fungos e bactérias, favorecendo um ambiente de descanso mais saudável”, indica.

A arquiteta fala também sobre os colchões de látex natural, que surgem como alternativa para quem busca conforto e frescor. “Esses colchões combinam maciez e sustentação elástica, sendo indicados para idosos com alergias ou que sentem calor durante o sono. Uma de suas vantagens é o material hipoalergênico, fresco e ventilado, que é altamente durável. Só que esse tipo de colchão exige atenção ao manuseá-lo, pois costuma ser mais pesado e exige mais cuidado na movimentação e manutenção”.

Quanto aos travesseiros, Flavia diz que é preciso que eles tragam conformo, mas mantenham o alinhamento cervical, que é o mais importante. “O travesseiro ideal deve sustentar a cabeça e o pescoço na mesma linha da coluna vertebral, preenchendo o espaço entre o ombro e a cabeça, sem projetar a cabeça para frente ou deixá-la inclinada para trás”, orienta. 

Outra dica que ela dá é em relação à higiene e manutenção, que é o uso de capas protetoras laváveis e hipoalergênicas, além da substituição do travesseiro a cada dois anos ou ao primeiro sinal de deformação.

 

Alterações comuns na 3ª idade:
Redução da massa muscular e da mobilidade.
Problemas circulatórios e respiratórios.
Pele sensível (maior risco de escaras).

 

 

Necessidades no sono:
Alívio de pressão nas articulações.
Superfície ventilada e higiênica.
Apoio firme, mas não rígido.
Altura e firmeza que facilitem deitar-se e levantar.