O que a IA pode fazer pela Indústria Colchoeira
A implementação da IA na indústria é um processo inevitável e duradouro. Pode se tornar um diferencial competitivo, com otimização na cadeia produtiva
A adaptação de médias e pequenas empresas à automação e o treinamento de mão de obra especializada são os principais desafios desse processo
Aplicar mudanças tecnológicas em uma cadeia de produção é um desafio enfrentado por qualquer fabricante. Agora, a corrida pela automação movimenta a indústria colchoeira rumo a um novo modo de fabricação. Toda a forma de se criar e produzir colchões está sendo remodelada e otimizada com o uso de Inteligência Artificial. E como isso influencia as diversas áreas da indústria?
Hoje, o setor enfrenta entraves com a política antidumping adotada pelo governo. Fabricantes correm contra o tempo para otimizarem suas produções com menor desperdício de matéria-prima e busca de novos diferenciais competitivos. E, neste cenário, a Indústria 4.0 traz ferramentas que podem auxiliar fabricantes a se manterem ativos no mercado.

Rene de Oliveira, CEO da Overseas, cita a utilização da IA no processo fabril como uma vantagem na segurança, fidelização do cliente, diferencial competitivo e na estratégia de vendas, mostrando a versatilidade de auxílios oferecidos por soluções como o IoT (Internet das Coisas). Além de aumentar a otimização a partir da redução de erros, a automação pode reduzir custos de produção, utilizando apenas o essencial em matéria-prima pré-programada (em IA), evitando desperdícios.
A automação é uma ferramenta de vendas, porque o cliente que visita a fábrica e vê o nível tecnológico sente-se mais seguro”
Rene de Oliveira,
CEO da Overseas
O site digitaldefynd.com apresenta algumas utilidades da IA na indústria de colchões, evidenciando sua plurifuncionalidade na cadeia produtiva, inclusive para recomendações de conforto personalizadas (utilizando análise de algoritmo); controlar e inspecionar processos de fabricação — como corte de espuma, acolchoamento, costura de capas e até na inspeção final de produtos, em busca de defeitos; manutenção preditiva (que garante o funcionamento contínuo dos equipamentos); análise de tendências de mercado impulsionada por IA; e otimização dos níveis de estoque e planejamento de rotas de entrega.
IA precisa de cuidados
Mesmo possuindo uma vasta gama de vantagens, existem certos cuidados que fabricantes devem ter ao implementar essa tecnologia em sua planta fabril. Rene aponta como um dos mais importantes a inserção correta da IA na cadeia de montagem e pré-montagem. “Muitos fabricantes focam a automação na montagem de colchões, ou seja, no final da produção. Sem levar em conta a parte da costura e do estofamento, que são pré-montagem e alimentam a linha de montagem, e que normalmente apresentam detalhes que a IA pode otimizar, como planejamento de blocos de produtos para produção de maneira mais eficiente, gerando menos desperdício”, explica.

A mão de obra também se torna uma grande incógnita quando se imagina um futuro robotizado, já que a preocupação com a retenção de trabalhadores é tema principal da Indústria 5.0. Rene traz uma análise realista desse caso, apontando que o mercado vive com falta de mão de obra em fase de crescimento acelerado. “Essa questão só vai piorar, em alta velocidade. Como motivo disso, temos a mudança no cenário do trabalho. Estudos do MIT e Harvard dizem que certos processos já não têm humanos em 80% das etapas de produção”.
Porém, o CEO da Overseas não enxerga essa situação com maus olhos, alegando que a robotização e a automação vão gerar outros tipos de trabalho especializado, outros mercados, que trarão condições para que as pessoas continuem trabalhando. “A automação resolve trabalhos de salubridade, reduz problemas físicos dos funcionários, troca a função braçal pelo robô e deixa a configuração e fiscalização por parte do trabalhador por exemplo”, argumenta.
Adaptação e transformação
O entendimento de que a automação é um processo inevitável e duradouro é o diferencial que médias e pequenas fábricas precisam para manterem-se em alta no mercado. Caso contrário, para não desaparecerem terão de se reinventar.
Para Rene, na maioria dos fabricantes há uma necessidade de mudança na “cultura produtiva” ao se implementar Inteligência Artificial nas fábricas. “Temos diversos casos de empresas de colchões que quando incorporam a automação, nao se preparam ou se preocupam com atual cultura industrial que deve ser analisada, e em mais de 70% dos casos deve ser alterada diretamente no chão de fábrica : 5S, Lean Manufacturing, Kanban, etc... E em muitos casos recomendamos uma automação por setores”.
Ele cita o padrão a ser seguido por essas fábricas, que ajuda no entendimento da potencialidade da IA no processo fabril: “O primeiro passo é estudar a parte de costura, molejo e espuma e depois na forma de montagem. Primeiro o fabricante precisa entender seu mix de produto (estudo de SKU’s - Unidade de Manutenção de Estoque), e quais os materiais que eles utilizam; e por fim, a receita do layout e quais tipos de máquinas irão ser automatizadas”.
Rene lembra que a Overseas oferece serviço de consultoria para as empresas, visando a preparação dessa cultura industrial no chão de fábrica. Entre os serviços está o acompanhamento da gestão da fábrica, com especialistas engenheiros que direcionam as melhores soluções para utilizar a automação no processo produtivo.
